sussurro, ponto alto

moça colorida que escreve porque gosta e fala do que quer porque é exibida

março 8, 2008

Filed under: Ploft! — Cissa Baini @ 2:12 am
Camisinha, 2 reais. 
– “Maria Cecilia, o que é isso aqui¹¿’
Eis a frase derradeira que mudaria toda a história da minha vida.
Foi quando tinha 13 anos e nem pensava em transar. Mas o assunto saía na Capricho, minhas amigas e não-amigas me achariam legal, meus amigos, descolada. Na época, adolescente, me esforçava para sair dos padrões (a ironia é eu hoje tentando voltar). A frase, solta em uma página em branco da minha agenda – que servia como diário e hoje seria conhecida blog: cheia de coisas coladas, coloridas, recortes, fotos, um verdadeiro exercício de criatividade, uma obra de arte eu diria – escrita propositalmente na diagonal que era pra chamar bem a atenção mesmo: “Camisinha – R$2,00.”
Eu sequer me dera o trabalho de ligar pra farmácia e perguntar o preço. Mas tinha lido que menina atinada andava com camisinha na bolsa, não tinha vergonha de comprar e era íntima do assunto ‘camisinha’ (mesmo não sendo do pinto).
Minha mãe tinha um olhar inquisitor, parecia que tinha descoberto a maconha na minha gaveta. Confesso que fiquei confusa. Não era legal estar interessada em cuidar de mim¿ Decobri ali, naquele momento, o  tabu(e o totem) do sexo; deparei-me com um sexo feio, proibido, indigno de uma moça de família. Entendi que uma boa filha não faz sexo, é pura, santa e imaculada – mesmo que às custas de kilometros de distanciamento afetivo. Esse era o propósito, educar filhas virgens.
Minha mãe não tem culpa. Pai militar e mãe professora, casara virgem a aprendera que se assim não o fosse, nenhum homem a aceitaria. Na ausência de diálogo, mantiveram-se as normas do século passado. Tudo normal, tudo certo para os padrões da época e que, sem perspectiva, repetia comigo.
Mas estávamos nos anos 90. Em tempos de Aids, preservativo era, como já diz o nome, manter-se viva. E ainda é! Atualmente, me parece que a sexualidade nem é mais o cerne da questão. O negócio agora é não ficar doente. Com a liberdade veio junto a libertinagem: vulgarizou-se o corpo e as DST’s nojentas e letais fazem parte do dia-a-dia de todos. Eu disse todos!
Pois eis que repetição é compulsiva. Na semana passada, agora do lado de cá da história, ouvi uma mãe achando um absurdo a filha pensar em fazer sexo. Meus deus do céu – eu pensei – quando é que esta tendência a padrões arcaicos vai se romper¿ alguma evolução há de haver.  Mas quando¿ Alôou! Já era! Darwin, Freud e Focault preveram há mais de 100 anos! O que falta¿ O problema não são os jovens transando cedo demais. Mas os pais que em 1950, 1990 ou em 2010 continuam pensando igualzinho, achando sexo muito bom, mas na hora do filho fazer é que a cobra fuma. Aliás, não fuma. 
 

One Response to “”

  1. joao Says:

    que mamãe é essa?


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s